2013, uma odisseia no tempo

O centésimo macaco mais vendido

O centésimo macaco mais vendido

Alan postou esta semana em seu restritíssimo Facebook — sete amigos escolhidos a dedo, entre eles os filhos e eu, ainda bem — uma mensagem impossível de se propagar, tão impossível que jurei por todos e tudo que nunca a repetiria, portanto, aqui está: “Desde que haja tempo suficiente, um macaco hipotético datilografando a esmo poderia, como parte de sua produção, quase que certamente produzir todas as peças de Shakespeare.”

Dá pra entender. Num intervalo de tempo infinito tudo que é finito perde o sentido, aí incluído o trabalho do editor e o ilusório blablablá de quem se julga escritor, testemunha literária de seu próprio tempo perdido, calma, gente. Estou falando de mim mesma, claro.

O problema é que o conceito do que é tempo “infinito” está mudando além do nosso controle. O fluxo de informação é tão amplo e tão intenso que o que ocorreu ontem mesmo poderia muito bem em outros tempos ter ocorrido no século passado — numa vida passada, até, se nesta bobagem eu ainda cresse —, daí a rapidez estonteante com que livros sobre acontecimentos recentes têm sido publicados, mas ops, pera um pouco aí.

Basta conferir os vários ebooks por aí — melhor seriam qualificados com a letra seguinte do dicionário, ainda que mantido o sagrado idioma consumista inglês, “fbooks, fast books, fake books, fucked-up books” e tão indigestos quanto — sobre as demonstrações do mês passado, isto, claro, considerando que ainda estamos em meados deste mês e pouco mais de quinze dias se passaram, que ainda anteontem — mas anteontem mesmo, crono-ilogicamente falando —, como consequência de um movimento que embora tenha começado está longe de terminar e ninguém sabe aonde vai parar, embora já tenha esgotado a nossa capacidade de aguentar, argh, o Leblon explodiu, nosso moderno, hype, avançado Leblon metido a Londres com um falso ar de bairro antigo.

Resto, aqui.

 

 

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