A Macondo das Alterosas

Como naquele tempo não havia cemitério em Macondo, pois até então não havia morrido ninguém, conservaram o saco de lona com os ossos, à espera de que houvesse um lugar digno para sepultá-lo.
Gabriel Garcia Marquez, Cem anos de solidão

 

Já vou logo dizendo a você, ansioso leitor — sem essa de “querido” por aqui, não cultivo esse tipo de frescura —, que deixei Belo Horizonte há exatamente tanto tempo quanto me falta para completar meus cem anos de solidão, se é que você me entende. E tem mais, faz tanto tempo que li o clássico de Garcia Marquez que pouco me lembro da trajetória dos Buendía, mas que tem algo a ver com a dos Cohen em BH — Alan vai logo gritando: falsos Cohen! —, lá isso, tem.

Por falar nisso, Alan agora tem algo mais para me atacar: os dois sobrados onde vivi quando criança e que continuam lá, apesar da minha falha lembrança, um bem em frente ao outro na Avenida Amazonas — no caminho de Inhotim, ainda bem —, embora a calma circundante tenha evidentemente desaparecido, hoje substituída por um trânsito caótico e um ruído permanente, enlouquecedor.

Embora falso, como já contei em algum livro por aí, tendo mudado seu “Koretz” do stetl (sem nenhum pedigree) ao chegar ao Brasil, a verdade é que meu avô Isaac, nome adotado ou não, acabou por própria força de vontade sendo o cohen da cidade, onde construiu sinagoga e cemitério — assumindo o comando espiritual da ilibada moral da comunidade.

O resto, aqui.

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