A vida num quadrado inteligente

Telefone-AntigoQuarta-feira passada na Dezesseis de Março, em algum momento entre 11 da manhã e 3 da tarde, entre a Droga Raia e o Mr. Cat e várias lojas de operadoras, uma atrás da outra, meu celular foi roubado, e junto com ele a ilusão de que em nossa cidade imperial não existe delinquência existencial.

Francamente. Era um smartphone barato, de interface nada amigável, que dava erro até mesmo na simples tentativa de receber e-mails fora de casa, imaginem. Não tinha Skype nem nada, mas eu estava tentando com um mínimo de empenho tirar o meu atraso de vida, vocês me entendem, e naquela mesma manhã tinha conseguido, finalmente, baixar um leitor de QR Codes muito útil para a nova geração de cartões de visita que estaremos usando na FLIP.

Era um smartphone desses que a gente troca por pontos na operadora, mais dez prestações de dez reais. Mas era o meu primeiro e eu o adorava, principalmente porque quando acordava no meio da noite podia conferir a hora sem colocar os óculos, é isso mesmo, meu celular pouco mais era do que um relógio de cabeceira discreto, que só se acendia quando eu queria.

Vocês devem estar estranhando essa conversa, como assim, a mulher é a vanguarda digital e não tem sequer um iPhone antigo? Pois é isso mesmo. Neste momento teclo a crônica num computador de última geração, finalmente criei vergonha e me dei o direito, a tela onde mergulho meus olhos por mais de 15 horas por dia tem agora alta definição, tão alta que quase tudo aparece borrado, com a rara exceção do navegador residente que agora sou obrigada a usar, por ser o único com a definição igualmente boa, conspiração tecnológica contra o consumidor, mas vamos em frente.

Resto, aqui.

 

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