Automedicação

Automedicação: dá samba ou não?

Automedicação: dá samba ou não?

Quando eu acreditava que estava pronta para o habitual “home sweet home” depois de uma longa viagem, bastando apenas vencer o árduo período do jet lag, fora os pés inchados devido aos sapatos de inverno apertados, ah, doces havaianas, morri de saudade — quando eu era jovem, vamos combinar, não sentia nada disso, estava sempre “pronta pra outra” no instante seguinte de qualquer coisa —, fala sério, dois ou três amigos decidiram me alertar ao telefone sobre a possibilidade, digo, a infalível probabilidade de sucumbir a uma tal “depressão pós-férias”.

Deve ser alguma perversa novidade, só pode. Leio no livro que estou editando — é isso aí, já estou na ativa e com a agenda agitada, nada de esperar o carnaval passar para o ano começar — que os manuais oficiais da psiquiatria americana, os famigerados e aparentemente detestados DSMs (nada a ver com doenças sexualmente transmissíveis, não custa lembrar, embora a associação de siglas seja automática e imediata), nos levam a uma situação em que “os comportamentos normais são cada vez mais categorizados como doença mental”, criando “um fardo para os indivíduos, suas famílias e para sociedade como um todo”. Nossa mãe.

Faz uma semana que estou de volta e ainda não me sinto no estado habitual, estado de saúde física e mental, digo. Imaginem.

Resto, aqui.

 

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