Bienal do Ebook RJ


David Naggar na Bienal do "ebook" RJ

O título parece exagerado, sim, é verdade. Mas outra verdade incontestável é que no meio dos enormes pavilhões atulhados de livros, o que chama realmente a atenção são aqueles setores limpos, um pouco misteriosos, ambientados à meia-luz para dar destaque às verdadeiras estrelas do evento: os tablets e e-readers, recheados de ebooks por dentro. Inevitável, caros leitores.

Nos fundos do imponente estande da Saraiva o presente do livro nos contempla, e é só lá que a garotada se contenta. A Bienal ainda está fechada, só deve abrir às 15h30 com a chegada da nossa “presidenta”, mas algumas escolas, livreiros e editores já estão lá, ansiosos, querendo chegar na frente, antes de todos os demais: como os livreiros de visão na busca de leitores com tesão, aqueles que verdadeiramente amam os livros e, por isso mesmo, sabem que o ebook é sua mais idealizada versão, uma realidade que já não se discute.

Cheguei correndo, atrasada, pois a palestra havia sido adiantada de última hora e eu tinha outros compromissos a cumprir. A vastidão do Riocentro me parece ofensiva, sempre me pareceu, mais ainda agora que tenho o mundo nas mãos digitalmente; (ana)logicamente, no entanto, vai ficando cada vez mais estranho, ou eu estranha nele. Mas tudo deu certo no final, e, francamente, quando me vi sentada na segunda fila do auditório, com David Naggar falando na minha frente, fiquei tão emocionada que quase chorei, de cansaço, alívio, interesse, sei lá.

O que se seguiu foi realmente antológico. Dentre tudo o que Mr. Naggar nos disse naqueles minutos, nada para nós na KBR foi  novidade realmente, mas tudo imensamente interessante e atraente, seguem os pontos principais:

— a imensa praticidade do Kindle para os amantes da leitura: David relatou o caso de um leitor empolgado que termina de ler um livro em sua cama às 11 e meia da noite, a quilômetros de distância da próxima livraria e quer ler mais do mesmo autor; no caso do Kindle, basta um clique para ter à disposição o catálogo inteiro, nem precisa pagar pelo acesso 3G como em outros tablets;

— a importância do preço acessível para a conquista do leitor digital: nós, da KBR, já praticamos isso desde o início (nosso teto é R$12 e US$5, eu disse “teto”), mas achei interessante a colocação de que o livro digital não concorre na verdade com o livro tradicional — como a maioria das editoras parece pensar ao determinar que o preço daquele deve ser uma determinada porcentagem do preço deste —, mas sim com outras mídias digitais que atraem de todas as maneiras o nosso consumidor, numa concorrência quase desleal, como músicas, filmes digitais, aplicativos e games, e ele está certo, não é mesmo?

Ebooks de Paulo Coelho na cena pirata digital, vergonha nacional!

— e por falar em preço, David ressaltou o fato de que o preço baixo nos protege contra a pirataria melhor do que qualquer DRM, pois o trabalho que dá para piratear um livro não compensa de jeito nenhum; o executivo afirmou ainda que o consumidor sabe o que é correto e deseja fazê-lo, mas a falta de disponibilidade de títulos no mercado pode corrompê-lo, e nós na KBR sabemos disso; uma nota curiosa foi ele ter mostrado como exemplo de pirataria deslavada uma página do Google em português, cheia de ebooks… de Paulo Coelho, que, como todos sabemos, pirateia a si mesmo, que bom exemplo, hein?

— o valor renovado atribuído à backlist, livros publicados há mais de um ano: David explicou com muita clareza todo o obrigatório investimento da editora em novos lançamentos, a luta pelo posicionamento na livraria, a publicidade obrigatória, tudo que conhecemos e que envolve um novo lançamento; mas surpreendeu ao comprovar que estes lançamentos incentivam tremendamente a venda de livros mais antigos do mesmo autor, já que mantê-los disponíveis em digital, ao contrário dos livros impressos, não requer nenhum investimento adicional; os livros publicados em mídia digital ficam disponíveis para sempre, não existe limite de tiragem ou problema logístico de estoque;

— o que nos leva ao último item, que nos interessou mais ainda: a importância para as editoras de converter todo o seu catálogo para o digital, e é aí que entra a KBR como prestadora de serviços adicional, pois já nascemos na era digital: somos referência no mercado de conversão nacional, e vamos continuar sendo; portanto, se a sua editora pretende fazer a revolução digital, faça conosco!

David encerrou a palestra com uma previsão para o futuro breve, quando a gigante Amazon, em data ainda não comunicada, chegará finalmente ao Brasil conforme o mercado tem divulgado, e com ansiedade desinformada; pelo que sinto, talvez ainda este ano: se algum editor tem um prazo em mente para a “transição digital” no Brasil, deve dividi-lo por dez, é isso mesmo, tudo se processará em um décimo do tempo esperado!

Se preparem. Nós, da KBR, estamos preparados.

 

5 Responses

  1. priscila ferraz says:

    Cara Noga.
    É impressionante como nós, pessoas com mais de 40 anos que não mais encontram empregos devido à nossa desatualização e falta de dinamismo encontramos nichos no mercado alavancando o pioneirismo. Parabéns a você. Parabéns a nós que acreditamos no futuro e em literatura de boa qualidade.

  2. Magno says:

    As editoras brasileiras estão esquecendo a lição da história. Lembram-se da frase “façamos a revolução antes que o povo a faça”? Pois é. Os livros digitais virão. Se será pelas mãos desses editores que estão aí, não sei. Pessoalmente, acredito que muitas oportunidades surgirão, a exemplo da pioneira KBR.

  3. Noga, não posso deixar de comentar novamente sobre o incrível trabalho que você está fazendo. Parabéns!
    Beijo,
    Rosângela

  4. Noga, parabéns! O pioneirismo e visão da KBR são impressionantes. E isso se deve a você.

    Vamo que vamo!!!

    beijos Julia

  5. Vera says:

    Concordo que o pioneirismo e a visão da KBR são impresionantes. Claro que a cabeça é a NOGA. Os livros digitais estão chegando não para competir, mas para somar! E nós vamos nesta onda que está vindo com força de tsunami! obrigada Noga. beijo grande

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