Cem semanas

coversInteressante. Há quase dois anos completos (dois anos seriam exatamente 104 edições) comecei essa aventura editorial que nunca imaginei que chegasse tão longe. Estava voltando da FLIP, duplamente exausta e mais do que nunca decidida a contratar uma auxiliar, que, por coincidência, também estava voltando da FLIP. A FLIP, aliás, havia sido o “ponto de encontro” entre nós duas detectado por Alex, nosso jardineiro comum.

Não creio que eu tenha soado muito animadora em nossa primeira entrevista com F., vamos chamá-la assim:

— A verdade é que estou planejando me mudar para os Estados Unidos e nossa casa já está à venda. Mas, enquanto isso, gostaria de experimentar.

Na nada calada mente eu já planejava o seguinte, voando alto demais para variar: treino essa menina e a deixo aqui no Brasil encarregada do dia a dia da KBR. Enquanto isso não ocorria, eu ia tentando meio desesperada encontrar um meio de iniciar nossas operações internacionais com uma empresa nos EUA, Alan para variar bloqueando todas as minhas frustrantes iniciativas com seu pessimismo nato: “Esquece. Não vai dar certo.”

Vamos combinar: infelizmente, o que não teria dado nada certo é ter permanecido no Brasil. Francamente. Já teria morrido de enfarte se ainda estivesse aí, desculpem, gente, mas a coisa está muito preta.

Voltando ao passado. Quando F. chegou para o expediente, tendo sido inicialmente estabelecido que teria duas manhãs “presenciais” por semana e o resto pela internet, percebi que embora estivesse sempre sobrecarregada de trabalho nada havia que pudesse lhe repassar assim, de imediato, que não demandasse um intensivo treinamento prévio para o qual me faltava tempo, ovo ou galinha, sabem como é. Então decidi criar um novo empreendimento para dar a F. algo para fazer enquanto ela ia tomando pé das coisas, esperando que absorvesse “por osmose” — ou por milagre mesmo —  um jeito de ir aos poucos me substituíndo na operação cotidiana da editora.

Esta é a simples história de como apareceu a série semanal Singles K. Tínhamos uma boa base de dados, já que o blog da editora estava no ar há pelo menos dois anos (esta semana marca também o 4º aniversário do blog, que começou no final de julho de 2011 e já tem mais de 2 mil posts publicados, o tempo passa). Bastavam quatro ou cinco crônicas novas por semana e estaríamos conversados, com o resto sendo pescado do nosso “acervo”.

Como sempre faço com tudo, em menos de 24 horas a série tinha logotipo com marca solicitada no INPI (no Brasil a gente só solicita, raramente obtém, porque o registro da marca demora tanto que em toda a minha experiência pregressa o “produto” havia saído de linha à época da concessão do registro, falar nisso, vou lá dar uma olhadinha, afinal, são apenas dois anos… pronto, continua “aguardando exame de mérito”, põe mérito nisso), projeto de capa (vamos combinar, ao longo de dois anos o projeto de capa deu uma boa melhorada), et voilà, estávamos no ar. Muito em breve ganharíamos loja própria na Amazon brasileira, oba.

O resto é história. F. não fez história na KBR, como, aliás, ninguém mais, parece que a minha mão de ferro centralizadora é uma espécie de imã ao contrário, rejeitando qualquer adesão que ultrapasse um contato primário, com a honrosa exceção do nosso querido webmaster “gente que pensa”. Mas antes de sair, F. teve uma boa chance de se afirmar como profissional, sendo publicada no jornal como a mais nova assistente editorial do mercado, encarregada, imaginem, do avançado projeto Singles K de revista digital semanal, por enquanto a única na Amazon, é, há dois anos. Sabem quando alguém me deu uma chance dessas? Pois é.

De qualquer maneira, embora a gente certamente possa aprender a se virar (como eu já disse antes, tudo que faço rotineiramente hoje em dia eu ainda não sabia há menos de seis anos, aprendi tudo, e na faixa dos 60, quando, dizem, o cérebro já não absorve lá tanta coisa… mentira!), acredito que é preciso “nascer” com uma certa tendência. Então, talvez, F. não estivesse programada para esse ofício. Pena.

Mas não estamos aqui para reclamar, e sim para festejar: o projeto Singles K desde então só tem me dado alegria! E não me canso de exaltar (e agradecer) aos nossos dedicados colunistas, afinal, exercer semanalmente esta profissão de cronista tampouco é para qualquer um. Cá entre nós, trata-se de um aprendizado e tanto, não é, gente? Eu que o diga, depois de, sei lá… mesmo antes de publicar meu primeiro livro de crônicas eu já tinha escrito mais de 3 mil!

Haja vida para tanto relato. E seguimos relatando. Parabéns pra gente! Cem edições não é pouca coisa! Ad meah v’esrim![1] (kkk)

Ah, enquanto esta história ia se desenrolando, desenrolou-se também nossa aventura de nos mudar para os Estados Unidos, onde, não por coincidência, mas por muito trabalho e muita insistência, acaba de entrar no ar o site de nossa filial americana. Orgulho.

Shalom e um bom domingo!

 

[1] Do hebraico: “Até 120”, tradicional cumprimento de aniversário desejando vida longa.

publicado também aqui

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