Descendo do salto

Para experimentar a emoção de ver meu terraço “lançado” pela primeira vez, tive que, literalmente, descer do salto.

Explico: eu estava vindo de uma reunião e não tinha a mínima intenção de ir à obra, mas Alan sugeriu e não tive como resistir.

Assim, cheguei lá com roupa e sapatos bem inadequados.

Eu tinha duas opções: ou não veria o deck, ou dava meu jeito.

Não tive dúvidas. Tirei os sapatos de salto altísssimo e os coloquei sobre a caixa de energia, sob os olhares espantados da minha “equipe” de operários.

— Cuidado — disse Rodolfo, o mestre de obras, parecendo preocupado. — Tem muitos pregos lá embaixo.

— Pois é. Mas não dá para ir lá com esses sapatos… eu não planejava ter vindo hoje.

E lá fui eu descalça pirambeira abaixo, já que o acesso “oficial” da casa está bloqueado por conta do nosso “presente de Natal adiantado”, 5 caminhões de terra e entulho que ganhamos de graça por conta do nosso perfect timing: houve esta semana um recapeamento das ruas do nosso condomínio  e nosso esperto empreiteiro juntou a fome com a vontade de comer; todo o material retirado foi doado ao nosso terreno, eliminando a necessidade de a empresa transportá-lo por 50 km em monstruosos caminhões… e a nossa necessidade de comprar o mesmo tanto de entulho e terra. Lucro: 20 mil dólares.

Pessoal… o terraço ficou uma coisa linda… é o ponto alto da casa. Não que isso tenha me surpreendido, afinal o projetei… não foi? Mas foi também o ponto mais perigoso e complicado de pôr em pé, por conta da altura e das condições adversas.

Tudo graças aos nossos bravos operários mexicanos, que, missão cumprida e sempre de bom humor, estavam no acostamento almoçando.

Tirei minhas fotos e subi o morro de volta.

— Obrigada, gente! Excelente trabalho!

Entrei no carro aliviada. Tinha passado dois dias em estado de quase pânico, enjoada só de imaginar o que poderia ter acontecido com esses “meninos” encarapitados naquele andaime improvisado, 30 metros sobre o nível do chão, sem cinto de segurança nem nada parecido. Para nem mencionar minha emoção com a beleza do resultado.

Alan comentou comigo indagorinha que o pessoal deve ter ficado espantadíssimo comigo.

— Uma americana jamais teria feito isso, tá brincando? Daria uma choradinha e pediria a um deles para “carregá-la”.

Hahaha. Diferenças culturais, por supuesto! Viva a nossa latinidade!

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *