Entrave imobiliário

lotevendaA única constante é a mudança.
Heráclito de Efeso

 

Tudo que eu sempre quis na minha vida desde menina, devo confessar, foi ficar casada até que a morte nos separasse e morar na mesma casa até que a morte me levasse. Mas não foi o que prognosticou meu ex-guru Mário Trancoso.

O motivo da consulta ao tarô foi minha revolta com a traição do primeiro marido, naquele momento vivendo sozinho no nosso primeiro apartamento que eu tinha acabado de deixar: “Minha filha, você vai ter três maridos e morar em dez casas diferentes”, ou seria o contrário? Já não lembro direito. Mas se a memória não me falha — estive contando ontem à noite antes de adormecer —, já cumpri minha cota.

Nossa bela casa em Corrêas (próxima a Itaipava, Petrópolis), não sei se vocês sabem, sempre foi um negócio, um negócio imobiliário, dos melhores investimentos que existem. Funcionaria assim: a gente tinha uma grana, encontrava um lote bom, construía a casa, vendia com um bom lucro logo que ficasse pronta, tirava um mês de férias em Paris e depois comprava outro lote bom, construía outra casa, vendia com bom lucro e assim por diante. Com três casas estaríamos aposentados. Poderíamos até morar em Paris se fosse esse o nosso desejo.

O problema começou quando Alan, mentor estratégico da nossa empresa, me explicou como deveríamos construir a casa para termos sucesso na empreitada. Ela deveria ser desenhada, nos mínimos detalhes, do jeito que a gente gostaria que fosse caso fôssemos viver nela. Entenderam?

Resto, aqui.

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