Im ein ani li, mi li?

Embora possa assim parecer, o título em hebraico desta nota “Se não sou por mim, quem será?” não é a base teórica da Década do Self, mas uma frase talmúdica, é bem verdade que um antigo amigo costumava dizer: “Se não sou por mim, dane-se”.

Longe vão meus tempos de blogueira, quando a cada brabeira eu sentava e desabafava por escrito, e com isso, ganha o leitor e ganho eu: tudo que publico, embora possa parecer ligeiro (ih, já estou me repetindo), é o resultado de um amplo trabalho e condensação de assuntos, pois como disse o Castello no Prosa de ontem, é duro “rastejar sobre os vícios humanos”.

Mas disse pro Alan indagorinha que estava muito sentida porque ninguém, nem uma pessoinha, curtiu minha crônica de hoje no blog da KBR. Alan responde que “ninguém quer saber de morte, nem de cemitério, em última instância da dor dos outros, dos mortos e dos túmulos dos outros”, e é verdade.

Como escreveu noutro dia um autor da KBR, ele mesmo neste momento passando um momento difícil e trabalhando para ser “leve”, escrever leve, digo, todos estão mais preocupados com o destino das baleias ou dos cães extraviados.

Mas a morte, a dor, é parte da vida humana, e parte crucial. Não vou me sentar aqui e afirmar que escrevi um grande texto, embora assim acredite, mas devo dizer que as grandes peças de literatura se apoiam nos grandes abalos da estrutura, estrutura emocional, claro, e que me sinto muito bem quando sou capaz de desfiar no papel, com toda a emoção e exatidão devidas, os momentos cruciais que me afligem a alma, e a crônica deste domingo é uma dessas ocasiões.

Fui muito bem recebida em Belo Horizonte, sim, e contarei isso no próximo domingo, mas não pelo meu passado, que esse já está cristalizado, e sim pelo meu presente, e meu presente quem faz sou eu, muito bem-sucedida ultimamente, devo confessar. Ando feliz comigo mesma, mesmo que “feliz” seja um estado que eu custe a alcançar.

Talvez eu melhore depois da minha ida ao cemitério e o relato que fiz dela. Fico torcendo. Mas, infelizmente, o escritor vive das palmas de seu leitor, ih, aí a coisa pegou e tchau procês.

 

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