Maçã do amor

maçaNão sei se vocês sabem, mas o amor, à medida que a velhice avança, se torna uma “disputa de cheiros e ruídos”. Eu, por exemplo, sou culpada dos crimes de comer iogurte à noite e usar creme Nívea no rosto e no corpo (Alan diz que é desodorante), ambos inafiançáveis. Além, é claro, de roncar só para incomodar quem (não) dorme ao meu lado.

Tosse, ronco, e até gases (desculpem, gente), tudo bem. Agora, vamos combinar, um companheiro cheirando a cachaça é o último grau de degradação a que um casamento pode chegar, drogação legal, digo. Uma dose da caseira, geladinha, às sextas-feiras, no balcão do horto para esquentar, faz até bem, eu tomo também. Mas uma garrafa inteira tornada rotineira todo fim de semana, ah, isso não vai dar. Tem que parar na primeira ou é o casamento que perderá as estribeiras.

Cachaça só tem graça em cartum e marchinha de Carnaval, porque na vida real é o horror, é o horror! Coisa de pobre ainda por cima, ops, desculpem de novo. E o que leva uma pessoa a sistematicamente se embebedar, role o que rolar, de bom ou de ruim?

No outro dia, discutimos no Facebook se a infelicidade é necessária para a boa literatura. A infelicidade eu não sei, mas o álcool, aparentemente, é, que o digam Faulkner, Fitzgerald e outros mais. Joyce, apesar de irlandês, e todo irlandês como vocês sabem bebe até cair, não me parece ter sido alcoólatra, embora tivesse alguns outros vícios degradantes, melhor parar por aqui. Só tomava vinho branco, até mesmo em Paris, e para escrever daquele jeito Nora nunca contou pra gente que droga ele usava.

Resto, aqui.

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