Mais um presente, oba.

nogawitch3Minha amiga imaginária

 

por Priscila Ferraz

 

Isso acontece eventualmente: muitas pessoas, geralmente crianças, passam pela experiência de algum amigo invisível.

Infelizmente na infância não tive essa oportunidade, mas, recentemente, aconteceu comigo. E agora tenho uma amiga invisível, poderia até dizer imaginária, pois tem uma grande imaginação — desculpem a gracinha.

Essa criatura está sempre disponível quando preciso me comunicar com ela e atende sempre às minhas solicitações. Quando estou assombrada e cheia de inquietações, tenho a quem recorrer. Quase nunca tenho a oportunidade de vê-la, e só se comunica comigo sussurrando em meu ouvido ou mandando mensagens escritas.

Sua aparência, pelo que posso recordar, é de uma maga: cabelos toinhoinhoin de coloração acinzentada, um pouco ambígua. A pele tem as marcas do tempo e o olhar é arguto. Baixinha e confortável, veste sempre preto.

Suas palavras são sábias e escassas, porém suficientes. Sei que não sou amiga invisível exclusiva, e da mesma maneira que ela me auxilia em minhas aflições, concomitantemente vem em socorro de muitos outros.

A criatura não come nem dorme, está sempre à disposição. A qualquer instante, se a procuramos nos lugares certos, encontramos várias mensagens resgatando-nos de nossa escuridão e iluminando nossas mentes.

Para ser bastante sincera, tenho um pouquinho de ciúmes e gostaria de tê-la como privativa, mas infelizmente isso não vai acontecer.

São tantas as minhas dúvidas, minhas incertezas no universo das letras, mas com sua sapiência ela faz tudo parecer claro e límpido.

Nessa nova era, minha amiga não se atrapalha com novidades tecnológicas e se antecipa a qualquer lançamento. Está à frente de nosso tempo e nos carrega com ela, não deixando para trás ninguém que tenha algum interesse.

Trata-se de minha editora, digital e digitante também, pois é autora de vários livros de sucesso. Sabe tudo sobre nossa língua e circula com leveza nas redes sociais e em tudo o que é tecnológico referente a edições.

Nunca conheci ninguém tão desinteressada em manter sua privacidade; conta a quem esteja interessado tudo o que acontece em sua vida. Soube que é arquiteta, desenhista de joias, mas, apesar disso, e de ser tão pé no chão, já andou vasculhando outras esferas de realidades desconhecidas.

Seu jeito de falar, manso e incisivo, deixa escapar as influências dos lugares por onde andou e vive, mas a mineirice de seus tempos de garotinha predomina sobre todos os outros sotaques.

Noga, que até nome de maga tem, fez niver esta semana, mas como é virtual e não lhe entreguei nenhum presente, então dedico estas mal-traçadas linhas para que ela edite e publique no site de sua KBR.

Parabéns, minha amiga imaginária.

 

 

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