Meu prazer é minha prisão

9788581800974Embora ao longo desta vida eu tenha passado pelas drogas inerentes à minha geração com a sutileza e a distância de uma alma apenada, um espírito amedrontado, sei lá, apegada à minha própria sobriedade com a maníaca racionalidade que aqui em casa ainda faço questão de praticar, não me é estranha a sensação de um grande prazer detonado pelo excesso, pelo hábito, por seu abuso e a consequente perda de sentido ou entendimento. Algo a que raramente escapa, por exemplo, o grande amor depois de certa idade ou tempo percorrido — embora até agora eu tenha me mantido ao largo daquela burocracia no relacionamento, tão dolorosa e brilhantemente descrita em Sacudindo o pó da estradaromance de Antonio Ernesto Martins, no livro apenas uma decepção a mais por que passa o protagonista. Mas que me impressionou, deixou em mim seu carimbo de atualidade.

Há outros males no texto que me afetam igualmente, porque deles sofri e ainda sofro, a violência no Rio, por exemplo, que de um jeito ou de outro me expulsou da minha cidade de eleição. Como foi que chegamos a esse ponto?

A pergunta faz todo o sentido, já que a figura do carioca enturmado, por dentro de tudo, descolado e relaxado, acabou de certa maneira tornando-se vítima do próprio poder de atração que lhe proporcionava o charme, a aura de sedução, e por que não dizer, o alto lucro da contravenção.

O resto, aqui.

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