Nada de novo debaixo do sol

"farooksyed49", com este belo rosto, buscava uma namorava radicalizada.

“Farooksyed49”, com este belo rosto, buscava uma namorada radicalizada.

Estávamos conversando com um amigo do meu filho durante o Thanksgiving quando ele fez a espantosa declaração:

— Minha namorada e eu não conversamos sobre política.

Na minha mente maldosa fui logo extrapolando, e concluindo que o casal mantinha o clima apaixonado evitando conversar sobre tudo que pudesse gerar qualquer tipo de discórdia entre os dois. Mas que tipo de intimidade amorosa seria essa?

— Alan, sobre o que será que eles conversam, então?

— Uai, você já esqueceu como é namoro? Conversam sobre a paixão, sobre as estrelas, sobre a cor dos olhos dos futuros filhos… (Alan obviamente não disse “uai”, o que já provoca extremas dúvidas sobre a veracidade deste relato.)

Aqui em casa, como vocês sabem, nosso longevo amor tem sido alimentado justamente pela discórdia, pelo calor apaixonado das nossas brigas sobre (quase) tudo, o que, aliás, tem sido descrito por especialistas em relacionamento como a receita ideal para tornar durável um casamento. Vai saber, mas tem realmente funcionado, e há mais de dez anos.

Recentemente, no entanto, nossa “estratégia de guerra amorosa” passou a correr sério risco, já que ao cabo e ao fim de uma longa disputa pela razão na política — na política americana, pelo menos —, me vejo concordando com o Alan em (quase) tudo, fico até com medo de qual será o resultado final dessa concordância generalizada.

E enquanto ficamos nesse chove-não-molha, me desculpem, sei que nada tem de divertido, mas não consigo parar de rir toda vez que Obama aparece na TV declarando que “o maior inimigo que temos que enfrentar atualmente é a mudança de clima”, ops, “do clima”. E ultimamente isso tem acontecido a cada cinco minutos, especialmente durante a cobertura do Encontro de Paris.

O pior é que em sua cruzada global pela extrema falta de sentido, tendo sido até considerado por analistas de oposição como “patológico”, o luminar americano tem amealhado vários adeptos, entre eles Angela Merkel, a toda-poderosa da União Europeia que há pouco tempo, ao decidir apresentar sua nação ao mundo como a mais caridosa de todas as caridosas, abrindo suas portas para centenas de milhares de refugiados (já perceberam como pararam de tocar neste assunto depois dos ataques de Paris?), acabou criando um problema tão grande para o país que agora não sabe como resolvê-lo. Nem vou compartilhar com vocês o comentário de uma amiga que está na Bélgica neste momento, e tem me mandado de lá notícias fresquinhas, assim desmentindo parte dos delírios da mídia. Segundo ela me confidenciou, meio chocada, há rumores de que os “campos de refugiados” na Alemanha têm várias características em comum com os cam… cala-te boca. Não estamos aqui para disse-me-disse, não é mesmo?

Enfim, líderes mundiais em uníssono declararam orgulhosamente esta semana em Paris que seu encontro climático na Cidade Luz era a melhor “resposta” aos terroristas islâ… ops, cala a boca de novo, não se pode chamá-los por seu nome sem parecermos xenófobos, apesar do fato indiscutível de 99% dos atos de terror atuais serem perpetrados por gente que os comete, alto e bom som, em nome de… Dele mesmo.

Vocês vão ter que me desculpar, mas não consigo associar as duas coisas de jeito nenhum, apesar dos pacientes amigos que se apressam a explicar à lesada aqui que as “alterações climáticas” provocam pobreza, insegurança, necessidade, e, como consequência, terrorismo (nada a ver com fundamentalismo religioso e exploração da ignorância com promessas sem sentido, é claro).

Frente a uma demonstração tão lógica e tão direta de causa e efeito, só consigo continuar rindo, deve ser de nervoso, só pode. Quer dizer então que uma suposta mudança de clima que pode ou não ocorrer daqui a uns 100 anos é um desafio mais sério para a humanidade do que um bando de facínoras desalmados que pode nos matar sem aviso prévio, a qualquer momento e em qualquer lugar? Com base numa teoria que ninguém consegue provar?

Não custa lembrar que o cadinho onde se cozinha esse novo tipo de violência (novo porque globalmente baseado na fé, não em revolta social ou algo assim, como os saudosos IRA, Baader-Meinhof e que tais, limitados às suas aspirações nacionais) está geograficamente localizado numa região que tende a ser desértica e miserável desde o tempo de Harum Al-Rashid, o verdadeiro Califa de Bagdá, com suas milenares histórias de oásis e outros refrescos mentais. Bem antes, até.

Tudo bem. Já estou vendo centenas de ativistas “do bem” me acusando de mal informada, iletrada etc. etc. Principalmente agora, que, incapazes de provar que a terra está realmente esquentando (estou falando da temperatura, ok?), decidiram mudar o “slogan” midiático de “aquecimento global” — aquele famoso argumento eleitoral inventado há muitos anos por Al Gore, dito “Al Bore” [em tradução livre, “O Tédio”] que, por sinal, perdeu as eleições,  mas nunca abriu mão de seu jatinho particular poluidor —, para “mudança de clima”, sem especificar diretamente que mudança seria esta, o que, no meu entender, passa a justificar qualquer coisa, podendo milagrosamente se transmutar a qualquer momento em “esfriamento global”. Que, aliás, é o que Alan vem advogando há anos: segundo o meu informadíssimo marido, o mundo na verdade está se aproximando de uma mini era glacial, principalmente devido à baixa atividade solar neste período, e não, não foi a atuação criminosa do homem que fez o sol diminuir seu calor, nada disso. Trata-se apenas, como já ocorreu outras tantas vezes durante a vida do nosso redondo planeta, de um ciclo natural.

E como estamos nessa de dar risada sem motivo, vou lembrar uma piada de judeu, meio antissemita, mas eu posso, tudo bem. Pois faz algum tempo que um judeu desses bastante oportunistas, inspirado por histórias de conquista espacial, decidiu vender pacotes turísticos para visitar o sol.

“Mas, Moishe, como é que vai ser isso? Não é quente demais por lá?”

“E daí? Que que tem? A gente vai durante a noite.”

Certo. Não vou entrar em pormenores sobre a total falta de sentido das mais recentes declarações de Obama (um líder essencialmente midiático, que, aliás, parece acreditar que basta não dar nome aos bois para que a boiada em disparada desapareça, uma vergonha para o mundo dito “civilizado”, que parece se ver obrigado pelo “liberalismo politicamente correto” a embarcar em peso nessa canoa furada) porque, francamente, embora esteja rindo, já estou deprimida o suficiente.

Prefiro terminar esta crônica com uma outra piada, já que para bom entendedor meia palavra basta:

Reuniram-se as partes do corpo para eleger quem dentre elas deveria ser coroada rei, ou rainha, sei lá (hoje em dia melhor seria deixar o gênero vago).

Primeiro falou o cérebro:

— Não faz nenhum sentido esse debate, pois o resultado é óbvio. Daqui de cima, coordeno tudo que acontece, vejo, escuto, sinto o clima, controlo e determino as nossas reações aos fatos. Portanto, o rei sou eu.

Ao que o coração imediatamente reagiu:

— Podem esquecer essa ridícula discussão. Mesmo com o cérebro parado posso continuar funcionando por tempo indeterminado, portanto está na cara que mereço ser coroado rei. Mas, se eu decidir parar, não vai ter mais vida nenhuma para bombear. E agora, como é que fica?

E assim prosseguiu o encontro, com cada parte defendendo a sua plataforma, algumas com mais energia que outras, até que, vinda bem lá do fundo, se ouviu uma vozinha debilitada:

— Podem parar!  Não resta nenhuma dúvida de que o rei do corpo sou eu!

O protesto veio em uníssono. Que poder poderia ter aquela partezinha isolada, tantas vezes suja, malcheirosa, e muitas vezes agindo de forma impositiva e descontrolada, cujo nome é considerado de mal gosto nas rodas educadas?

— Tá bem, então. Vou me fechar por uns dias e depois disso a gente decide, ok?

E assim foi feito. Depois de umas duas semanas, o corpo se reuniu novamente e o cu foi unanimemente declarado rei.

Nem preciso lembrar que na intimidade não declarada do nosso brilhante pensamento preferimos enxergar essa violência cujo nome não se pode pronunciar como uma ameaça sem muita graça advinda do eterno cu do mundo, ops, desculpem aí.

 

P.S.: A coisa não para, e esta crônica balançou, balançou, quase caiu. Vou arriscar dizer que, como nesses filmes de ação que abundam por aí (não me deem ideias), o casal assassino de Bernardino foi “ativado” por seu “comando”. Triste mundo.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *