O reverso do Feng Shui

Exif_JPEG_422Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato, e abro os meus braços pra você.

Chico Buarque, “Com açúcar, com afeto”

 

Vou começar confessando que nem nos meus tempos de novaerismo mais radical eu dava muita bola para esse negócio de Feng Shui, pra quem não sabe — e será que alguma alma remota neste mundo ainda não sabe? —, uma técnica ou filosofia chinesa que promete garantir seu bem-estar através de algumas regras fixas na decoração de ambientes, entre elas uma fontezinha sempre corrente, um recipiente transparente com peixes, e, dificuldade das dificuldades, a tampa do vaso sempre abaixada, para evitar que nossa prosperidade tão suada escorra literalmente pelo esgoto da privada. Então tá.

Essa última aí é tranquila de ser mantida quando a gente mora sozinha, vamos combinar, sem ninguém para perturbar a ordem e o progresso de nossas mais incensadas intenções, mas experimente dividir seu banheiro com marido e filhos  — ah, taí, um fator a mais para atrapalhar a perenidade de qualquer prosperidade, não é mesmo? Nossa, como a vida em família come esforço e dinheiro… É de amargar.

Pois é. Deixando a magia um pouco de lado, me dei conta nos últimos dois dias de que pela primeira vez, em mais de quarenta anos de vida, estou por minha própria conta e risco, finalmente amadurecida e independente, sem ter que contar com um ombro amigo nem ser obrigada a me preocupar com quem convive cotidianamente comigo. Liberdade deve ser isso.

O resto, aqui.

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