Pico na veia

cachorro

[Esperando o Brasil] Eu não sou cachorro não. E agora que voltei do inferno da depressão, alguém poderia me explicar por que o “Brasilien” está tão torto nesse cartaz “do cão”??

O que não nos mata nos fortalece.
F. Nietzsche

 

Eu pretendia passar ao largo, mas juntando-se ao mal-estar da prolongada greve bancária e ao eternizado quebra-quebra sob as mais variadas justificativas nas capitais do Brasil — algo que não só irrita o cidadão comum, como instila no ar uma sensação generalizada de derrota, baixo-astral —, se contamina o país não sei, eu sim, me deixei contaminar. E antes que pudesse me controlar lá estava surtando em público, vexame, mandando o parasita aboletado na banqueta plástica na porta do banco, impedindo o trabalho de entrar, os sindicalizados que me perdoem, ir para a… Hum. Scheisse. Melhor deixar pra lá.

Estava num dia ruim. Em vez de a explosão me aliviar, a irritação aumentou. De volta ao escritório, não consegui resistir. Passei a criticar no Facebook.

Criticar é fácil, eu sei. Difícil é conseguir estar lá. Mas enquanto a autoridade loura declarava em missão oficial que “Frankfurt parece hoje um bairro periférico do Rio!” (nada mais distante da reconstruída cidade am Main, que conheço razoavelmente bem), só me vinha à mente uma voz indignada, martelando, na terra de Goethe, Schiller e Bach — por Mahler! por que não lembrar, o centro da intelligentsia global, tradicional, infelizmente também o foco de um genocídio que a gente não para de lembrar. Genocídio. Racismo. Palavras-chave. Será que foi só para combinar?

O resto, aqui.

 

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