Por que afanam no meu Brasil

brasilQuando eu era menina, mocinha, universitária, mamãe, a quem eu era muito apegada e vice-versa, mais ainda depois que papai morreu aos 42 anos (abalroado por um motorista bêbado e desse crime inocentado, eu já deveria ter desconfiado), me dizia sempre que eu deveria ir viver fora do Brasil, como têm feito hoje em dia 9 entre 10 jovens competentes da nossa nação varonil, meu sobrinho entre eles. Saudade.

Mamãe bem que tentou. Depois que me graduei em arquitetura fomos a Israel para uma longa temporada, mas não sei que imã me prendia a esta terra danada que mesmo na Europa voltar para casa era tudo o que eu queria, para a terra onde cantam os sabiás.

Os sabiás cantam, vamos combinar, e aqui no meu canto fazem imensa algazarra as maritacas. De vez em quando um tucano isolado cruza as verdes matas, enchendo de cor uma paisagem abençoada, sob a proteção granitada de um dos maiores maciços montanhosos do mundo, com um mágico triângulo marcado. Em se plantando, tudo dá, principalmente rosas de todas as cores e um pêssego ou outro para adoçar.

Já mais velha, um amigo me disse, entre laudatório e consternado — desculpem aí a egotrip, mas tenho me sentido um bocado angustiada, ando derrubada, preciso de algo para me reinicializar — que eu só poderia “ter um estrangeiro para marido”, querendo dizer que a minha cabeça (e o meu coração, e a minha xoxota poética e livre, talvez) jamais caberia num mundinho apadrinhado de tão mesquinhas limitações.

O resto, aqui.

 

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