Preconceitos

Depois do assassinato do Embaixador Chris Stevens, líbios em Benghazi expressam preocupação. Foto Mohammad Hannon/AP, The Guardian (http://bit.ly/VKNsJG).

Arre que ainda dá tempo. Passei o domingo todo na minha persona editora, trabalhando sem parar, quase nem deu pra escrever a crônica, mas como dizia meu ex-guru Mário Trancoso, guru igualmente de algumas celebridades por aí, “Primeiro a obrigação, depois a devoção”. Mesmo que não acredite mais em nada disso, nunca mais esqueci.

Ainda bem. Ainda bem também que tive o dia inteiro para refletir, porque a crônica que escrevi na minha própria cabeça na última hora das poucas que dormi, era meio barra, vamos combinar.

Começava assim: “Nestes tempos de absoluta correção política em tudo que se fala e escreve, pouca gente confessa…” Pois é, mas eu, como vocês sabem, quando tenho uma coisa me entalando já vou logo desembuchando.

No outro dia, para meu choque extremo, me descobri preconceituosa na cadeira da dentista, bem, felizmente escapei de me descobrir racista, mas será mesmo? Como todos sabem, pratico, como descreve Cassia Cassitas em seu novo livro que ainda não foi publicado — muito a propósito nomeado Fortuna —, uma “eugenia oculta”, pois pasmem: todos os meus três maridos foram (os que larguei) e são (aquele com que fiquei) judeus, a dentista se espantou. Embora já tenha tido, e tenha até escrito uma crônica sobre isso — e mantido, é claro, em segredo bem escondido de mamãe — um namorado gay, ops, desculpem. Em público eu fazia questão de ser vista com ele, mas ele não, evitava sempre que podia, dá pra entender.

O resto, aqui.

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