Recado(s) recalcado(s)

salimstudio013Apesar de você amanhã há ser outro dia.

Chico Buarque

 

Gosto tão pouco de gente ao vivo, com a eventual exceção de um superpresente marido, que, imaginem, agendei os dois encontros semanais com minha nova assistente para os dias em que Ivete, a faxineira, está aqui em casa de qualquer maneira, e quinzenalmente também o jardineiro, dos quais não posso prescindir. Já acordo nesses dias meio sobressaltada, devo confessar.

Não me levem a mal. Embora por oposição declarada eu possa (segundo meu amoroso marido) me expressar verbalmente de maneira impulsiva e impensada, podendo optar no dia a dia prefiro mil vezes estar rodeada de meu próprio silêncio. Paradoxalmente, quem adentra o mundo misterioso da conectada KBR sabe que estou sempre disponível, não importa o nível de exigência, pasmem, apenas no meio digital, evidentemente.

Estando isso (sub)entendido, minha vida cotidiana se divide entre o modo produtivo e o modo não-produtivo, sendo este último levado às últimas consequências quando sou obrigada a viajar para o Rio.

Gosto de fazer essa falsa blague em público, digo blasée por aí que a KBR é um avançadíssimo modelo de empresa “não-localizada” cuja sede se instala onde a editora estiver naquele momento sem nem pedir licença ou sequer uma tomada, mas, vamos combinar, tudo isso não passa de uma involuntária piada. Fico totalmente desconcentrada. Sofro. Não sou eu. E até que consiga novamente ficar isolada (leia-se: trabalhando calada) passam-se dias de “quarentena urbanizada”, dias de atividade abalada, atenção pulverizada, sono atrasado, rotina prejudicada.

O resto, aqui.

 

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