“Reminicências”

arqueos4

Mas as coisas findas muito mais que lindasessas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade

 

Ah, tá bom. Minha assistente Flávia S., que à medida que o tempo passa vai colocando suas manguinhas de fora — imaginem que ela tem o excelente hábito de me corrigir, mas que é preciso ousadia, é — jamais deixaria passar sem um queixume o título acima, mas minha intenção foi boa, postaram assim no meu mural do Facebook e foi só pra mostrar como sou importante em meu ofício de editora, reminiscências pra quê, não é mesmo?

Pois não foi sempre assim, acreditem. Já fiz de um tudo neste mundo e nesta vida, e entre esse mundo de coisas está um breve período como “coordenadora de artes” da (eu quase disse defunta) Fundição Progresso, eu que não rezo, rezo pra que já não tenha escrito sobre isso em algum dos meus livros, ah, deixa pra lá.

Mesmo que eu tenha escrito, a gente sempre escreve sob uma nova perspectiva depois de algum tempo de reflexão. Hoje, por exemplo, um companheiro das antigas me mandou um vídeo em que me acho tão feia, patética e deslocada que não passo o link nem que vocês me ameacem de morte. Mas tá lá, no YouTube, escapar quem há de.

Agora. O motivo deste meu ataque de nostalgia tem um fundo nobre: o dia em que o Rio foi mais vanguarda do que Paris, é, aconteceu mesmo, eu tinha até me esquecido, mas não pude deixar de lembrar quando a imprensa noticiou com bom destaque um prédio abandonado em Paris, que deve ser destruído em novembro, e que foi ocupado por não sei quantos grafiteiros no que está sendo considerada a “maior obra de street-art do mundo”.

Balela. Pinoia. Como eu ia dizendo, já tivemos isso aqui, digo, lá no Rio, imaginem, na década de 1990, ano de 1990 para ser mais exata, na, insisto, extinta Fundição Progresso — porque nosso projeto pregresso de artes na Fundição está mesmo prescrito, extinto, defunto, nada a ver com o que rola  lá hoje, a.k.a. “casa de shows” e “concurso de marchinhas”, sorry, periferia. Nosso negócio era (ser) Paris.

Resto, aqui.

 

 

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